
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que absolveu um homem acusado de tráfico por portar 550 gramas de maconha destaca a abordagem flexível da Justiça em casos envolvendo pequenas quantidades de entorpecentes. A Corte considerou que, embora a quantidade demonstrasse um consumo significativamente superior ao limite de 40 gramas estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 506, não havia provas que indicassem mercancia ou tráfico.
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O réu, primário e sem histórico de envolvimento com o tráfico, alegou que a quantidade adquirida tinha como objetivo atender à própria demanda durante a pandemia. Essa avaliação levou à reformulação da sentença, apontando que a posse da substância era para uso pessoal. Tal decisão reflete um avanço no entendimento judicial alinhado às disposições do STF no contexto da descriminalização e do consumo consciente.
Decisão judicial e contexto do caso
A abordagem do TJ-SP partiu do princípio de que a quantidade de 40 gramas, definida pelo STF como limite presuntivo para consumo pessoal, é exemplificativa, não eliminando a análise de outros fatores relevantes no julgamento. No caso em análise, além da quantidade de 550 gramas, fatores como o formato de armazenamento, a ausência de embalagens típicas de comércio e a vida lícita do réu foram determinantes para a decisão.
A defesa enfatizou que o acusado enfrentava dependência química e demonstrou, através de documentos, que ele havia adquirido a droga com o objetivo de evitar crises durante o isolamento social. Os argumentos foram aceitos pelo Tribunal, que considerou ausentes elementos caracterizadores de tráfico, como petrechos de comercialização ou atos de mercancia identificáveis.
Repercussões jurídicas e sociais
Essa decisão joga luz sobre um tema delicado: o uso pessoal versus o tráfico de drogas. O reconhecimento da atipicidade da conduta, apesar do volume superior ao limite pautado pelo STF, abre precedente para avaliações mais individualizadas, embasadas nas circunstâncias do caso.
Destaques da decisão
- Fator individual:O réu, primário, estava em tratamento contra dependência química.
- Ausência de elementos de tráfico:Nenhum material relacionado à comercialização foi encontrado.
- Pandemia como contexto:O isolamento social foi uma justificativa para a posse da droga em maior volume.
A decisão ressalta que o uso pessoal, mesmo em desacordo com limites quantitativos, exige análise abrangente de evidências, evitando condenações fundamentadas exclusivamente na quantidade apreendida. Movimentos como este indicam uma tendência maior por parte da Justiça em ponderar as ações individuais, respeitando direitos e diferenciando situações de consumo das práticas de tráfico ilícito de entorpecentes.
O papel do STF e a evolução legislativa
Com a decisão pautada no Tema 506 e a consequente repercussão geral consolidada pelo STF, o debate em torno da descriminalização da posse de drogas para uso pessoal ganha relevância. O caso reforça a necessidade de regulamentações que atendam a contextos variados, oferecendo mais clareza no enquadramento jurídico de situações semelhantes.
O caso marca um precedente significativo, não apenas pelo resultado, mas também pela abordagem jurídica que prioriza a análise contextual mais ampla. Essa perspectiva contribui para um diálogo mais equilibrado entre uso pessoal de drogas e as consequências penais associadas.
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Redação
Redação jornalística da Elias & Cury Advogados Associados.